sábado, 11 de fevereiro de 2017

Despertar



Eu queria ser livre. Livre pra ir e vir, ser simples, descomplexa. Livre hoje, agora. Mas ao invés disso, vivo dentro de uma enorme prisão, onde as paredes se espessam a cada dia. Refém dos médicos, dos remédios, dos produtos, dos conceitos e preconceitos, de mim mesma...
Um dia tive um sonho lindo, onde podia ser como um pássaro e voar sem destino, sentindo o vento no rosto, nas asas... Sem depender de ninguém, de nada.
Queria me ver nua, despida das correntes, dos grilhões, das grades que construí a meu redor, talvez pra me sentir segura, talvez por temer tanto. Temer a vida, temer os vivos.
Sonhava não estar ligada e esse corpo alquebrado, limitado e mortal. Sonhava poder me expandir infinitamente pelo universo e ao invés disso, sinto estar encolhendo pra dentro de um buraco negro que me engole a cada instante.
Queria acordar um dia e fazer tudo diferente. Perder de vista o sofrimento, esquecer quem sou e então, poder voltar pra mim por saudade, por amor, sem ser puxada por essa violenta gravidade que consome os sonhos, que me faz alerta.
Perder a sensação do corpo e também da mente, mas ainda estando ciente de existir. Correr e correr até não sentir mais nada, dissolvendo-me assim no tudo e no nada, plena, completa, eterna.
Mas esse dia a de chegar e eu preciso acreditar! E enquanto ele não vem, vou vivendo no tempo e no espaço, confinada a essa existência tola e cruel, buscando a resignação necessária, que diminui a espera e me torna mais apta a suportar o agora. Com as ferramentas rudimentares que possuo hoje, vou lapidando as mesmas, nos recursos de amanhã.
Sigo assim, moldando esse pequeno passarinho, em uma linda e gloriosa fênix que um dia despertará...


M.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dentro de mim... (Agosto, 2016)



A paz e o silêncio não frequentam essa morada.
Essa mente inquieta onde os sons, os cheiros e as formas se misturam num frenesi.
Eu sinto, eu toco, ouço, degusto e cheiro cada gota do ar que me envolve...
Pensamentos e emoções são palpáveis como as areias da praia. Quente, áspera, mas revoltas ao vento, queimando minha pele, me irritando os olhos, que tentam enxergar através da tempestade.
Surge um torpor que me embaça, atordoa e não mais posso pensar com clareza, apenas existo.
Confusa... Ilhada em mim mesma.

M.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Xawdoon Reloaded (Setembro, 2016)



Aqui dentro existe um mundo secreto, pra onde eu fujo sempre que tenho medo. E como temo... O tempo todo...

Esse mesmo mundo que abrigou outrora a inocência infantil, a magia e a imaginação, hoje me mantém sã, a salvo de mim mesma e do mundo que persiste em tentar me devorar, pouco a pouco, dia a dia.

A cada tentativa que faço de crescer, sou puxada de volta pra você... Xawdoon

Talvez eu devesse me contentar em te ter, meu refúgio, meu lar querido, onde ninguém pode me encontrar.

Aqui sou apenas eu, aqui sou tudo que importa... Aqui, agora...

Meus amores, meus amigos, minha família, meus filhos. Todos constantes, presentes, vivos. Posso sentir seus perfumes, tocar seus rostos. Posso vê-los e senti-los dentro de mim.

E de repente, por alguns segundos, talvez horas, não estou mais sozinha e o vazio se transforma em cores...



M.

Why we Write (10/05/16)


Writing is like having sex with someone you´re really into.

There´s the anticipation, a lot of nerves, sweating, mind and body go numb, ideas and feelings get all mixed up and you can´t make much sense of what is happening till it´s over…

Feels like an interstorm and when it is done with, you feel 10 pounds lighter. All muscles relax at once after being tense for a while. You tremble. Then you get hungry and you can finally go to sleep!

And that my friends, it´s why some of us should always carry a notebook…



M.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Libertação (09 de novembro, 2016)



Era uma vez uma menina autista,

Que cresceu num mundo de espelhos.

Onde o que importava era ser linda e magra e aceita por outros que não aceitavam nada...

Um mundo que a queria calar, colocá-la em uma caixinha!

Pois suas palavras não se encaixavam e suas ações causavam espanto.

Mas a menina possuía uma voz que teimava em dizer a verdade.

E sua mente saía em expedições fantásticas, pelo mundo a fora...

E trazia consigo ideias e ideais que não cabiam em lugar algum.

Até que um dia esse mundo conseguiu trancá-la dentro de si.

E por um longo tempo ela lá permaneceu, sonhando, criando...

Mas então, seu mundo ficou pequeno demais e as estradas de seu intimo se tornaram tortuosas...

Agora a menina cresceu e precisa desbravar outros horizontes.

E mesmo que desagrade a muitos, ela quer soltar sua voz...
 
M.

The one who matters most (23 de outubro de 2016)



I spent most of my years waiting for that day you would tell me how proud you were of me.
But that day never came and I got tired of waiting.
Why mother? Why can´t you see?
There´s so much beauty, so much content inside of my head, inside of my veins... And it does come out, maybe not the way you would like, maybe not the way you would expect… But it does. It´s there. All you have to do is look. Look closer. Look deeper, and you´ll see who I really am. What I´m really made of.
And then, one day, I simply realized that someone even more important, was actually paying attention. 
The only one who could really make a difference.
I finally realized, I was proud of myself.
And even if the whole world was not ready to notice it, it finally hit me.
As every person who’s ahead of their time, all I had to do was keep being who I was. Keep up with the work and be patient. My day on this world was yet to come. 
Maybe not in human years, maybe not…
But my soul will live forever! I´ll find my place, my time.
I will be, all I can be…


M.